domingo, 30 de novembro de 2014

15º Domingo no Canil Municipal - impressões da visita de hoje, 30/11/2014

Enfim, novembro se vai... 

Hoje encontrei um funcionário no Canil. Nossos peludos tinham sido alimentados. Algumas baias estavam limpas, outras não. 
Fomos recebidos educadamente. Claro que isso nos tranquiliza um pouco, mas... ainda existem perguntas sem respostas.


Baias limpas, cães mais saudáveis, área da frente, mais ensolarada.



Baias sujas, cães mais magros, área mais escura, fundos.




Ração de hoje.

Estado que não muda. (Com os dois sabonetes de Pita lacrados dentro do armário, os dois vidros de Colosso também intactos dentro do armário, fica difícil...)

Mãe aparentemente doente. Não a vi no domingo passado; hoje fiquei sabendo que fica escondida dentro do cocho. Parece que rejeitou os filhotes. Daquela caixa, hoje só tinham 04 em estado crítico.


Alguns dos animais soltos.


Respondendo à pergunta de uma protetora: sim, existe canibalismo ali. Só não me pergunte como aquele filhote foi parar ali...


Queria que novembro levasse consigo essa realidade tão triste e dezembro trouxesse novos ares, novas esperanças... Dezembro tem Natal!

domingo, 23 de novembro de 2014

14º Domingo no Canil Municipal - impressões da visita de hoje, 23 de novembro.

Faço silêncio por horas, entro em mim mesma, vasculho meus sentimentos para entender, re-significar, compor-me. Não posso desenvolver a "síndrome de Deus", sequer dar uma de "Américo Pisca-Pisca" que queria transformar o mundo e sonhou colocar abóboras em jabuticabeiras, porque não era lógico que uma árvore tão frondosa desse frutos tão pequenos! Um turbilhão inenarrável de pensamentos vão e vem, percorrem hospitais, onde a morte, a dor e a doença fazem morada todos os dias... Vão até os países mais pobres onde há fome, miséria, doença, guerra... Voltam aos nossos governantes desviando tantas verbas! Não consigo organizar em palavras...
Mas não posso chegar naquele Canil e ver uma caixa de filhotes morrendo às moscas, literalmente, e não sentir nada. Quem esteve lá antes, para colocar água e comida? Foi alguém responsável por aquilo, porque algumas baias tinham sido lavadas. O que eu deveria ter feito? Chamado a polícia? Por que me coloquei nessa situação, Senhor? Por que uma voz sopra em meu ouvido que não devo parar? Por que uma mão invisível me empurra e me "tira" o poder de desistir? 
Perguntas...
Que as imagens respondam alguma coisa:









Essas bolinhas no fundo são fezes de rato.











domingo, 16 de novembro de 2014

13º Domingo no Canil Municipal - impressões da visita de hoje, 16 de novembro.

Está ruim? Não reclame, pois ainda pode piorar!
(diz a minha vozinha interior)
E não é?
Conte os filhotes, se for capaz...







Meu Deus, de onde terão saído tantos?
Não farei perguntas...
Não farei reflexões...
Não farei pedidos...
Só peço a Deus que eu tenha olhos de ver, ouvidos de ouvir, coração para sentir... E que seja intuída a melhor agir...

Mais novidades:
Uma cadela prenha, já a ponto de parir...
Nesta mesma baia tinha outra cadela toda branca, também prenha, mas não consegui fotografar. Hoje minha ajudante não foi e eu fico muito nervosa para pensar em registros, melhor ângulo, enfim...
Claro que eles não tinham sido alimentados hoje... Muitos animais na mesma baia, brigam pela ração, os mais fracos não conseguem comer. Esta cadela sequer levantou daquele canto para vir até o portão (dei um zoom na câmera). Como o portão fica trancado com cadeado, coloco a ração no chão bem próximo à grade. Os mais fortes ou espertos se apoderam do espaço e não deixam os demais comerem.


Do lado de fora, ele vai crescendo e espera que um dia possa sair do lixo e receber um lar...

domingo, 9 de novembro de 2014

12º Domingo no Canil Municipal - impressões da visita de hoje, 09 de novembro - 2º dia do ENEM no país.

Certa vez li uma frase, de autoria desconhecida, que nunca mais esqueci e que a tenho como minha preferida: "quando pensamos ter todas as respostas, a vida vem e muda as perguntas". Isso é fato para mim. Desde criança sou muito questionadora e não é qualquer resposta que me convence. "Você pode crer em mudança quando procura a luz dentro das pilhas..." bem disse o poeta. Talvez minha alma cartesiana, que gosta tanto de conhecer as coordenadas de tudo, precise sempre de chão e lógica. Acontece que nem sempre pode ser assim... Hoje, li uma frase do Padre Fábio de Melo que confirma isso: "só não esqueça que nem sempre você precisa de respostas. A vida, por vezes só é possível no silêncio do questionamento." 

Mas, como se deparar com certas realidades e não questionar? Como levar a vida adiante acreditando que tudo está como deve ser? Achei que com o tempo passaria...

Todo esse prólogo é para dizer que "sim, fui ao Canil hoje e claro que voltei triste, abatida..."

Lembra da imagem de domingo passado?

Foi assim que encontrei um deles hoje:

Nem é preciso ser veterinário para perceber que tem algo errado aqui... Uma semana e aquela alegria, o aspecto rechonchudo, foi substituído por magreza e essa posição sempre cabisbaixa. Doença de carrapato? Cinomose? Fome? Tristeza? 

Como não questionar?

"Pare o trem que eu quero descer" - é o que dá vontade de gritar!

Mas, em respeito àqueles amigos generosos, incansáveis, que leem, compartilham, fazem doações, esperam e acreditam nas mudanças, me recomponho e publico outras fotos da visita de hoje.



Uma cerca está surgindo do chão... A área para o banho de sol que deve ser construída...



O poeta a que me referia anteriormente é Domingos Pellegrini Jr. e o poema é Mudança, já publicado aqui, mas que encontrei no blog do Flávio de Castro como:
Um poema para dias difíceis
"O tempo pôs a mão na tua cabeça e ensinou três coisas.
Primeiro, você pode crer em mudanças. 
Quando duvida de tudo, quando procura a luz dentro das pilhas, o caroço nas pedras, 
as causas das coisas, seu sangue bruto. 
Segundo: você não pode mudar o mundo conforme o coração. 
Tua pressa não apressa a história. 
Melhor que teu heroísmo, tua disciplina na multidão. 
Terceiro: é preciso trabalhar todo dia, toda madrugada para mudar um pedaço de horta, 
uma paisagem, um homem. 
Mas mudam, essa é a verdade!"

Que eu fique com a disciplina, com o trabalho... todo dia, todo domingo, porque um dia a mudança há de vir...